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Síndrome de Lemierre – Relato de caso

A síndrome de Lemierre (SL) é uma doença rara, que acontece principalmente em adolescentes e adultos jovens, caracterizada por infecção peritonsilar, que, em associação com a tromboflebite da veia jugular interna, promove um quadro de bacteremia e embolia séptica, principalmente pulmonar.

O evento inicial mais comum é a faringite aguda, com envolvimento tonsilar ou peritonsilar. O agente etiológico mais frequente é o Fusobacterium necrophorum, existente na flora habitual da orofaringe. Todavia, outros germes foram associados, como Streptococcus pyogenes e, em até 1/3 dos pacientes, observa-se infecção polimicrobiana. Após uma semana, há extensão do processo infeccioso pelo espaço parafaríngeo, podendo atingir a veia jugular interna (tromboflebite), artéria carótida, nervo vago e linfonodos, ocorrendo por fim a disseminação endovascular com embolização do agente causal, principalmente para o parênquima pulmonar (97%). Outros mecanismos raros relatados são através de extrações dentárias, mastoidites e parotidites.

O quadro clínico é inespecífico com odonofagia, febre alta, calafrios, evoluindo com dor e rigidez no pescoço, linfadenopatia, edema na região do ângulo mandibular ou anterior e paralelamente ao músculo esternocleidomastóideo. Com a progressão para embolia séptica pulmonar, observa-se dor pleurítica, dispnéia, crepitações finais e atrito pleural.
A tomografia computadorizada (TC) cervical com contraste tem se mostrado como excelente exame complementar, uma vez que define o diagnóstico da SL, demonstrando o edema de partes moles e falhas de enchimento/tromboflebite da veia jugular interna (que também podem ser observados à ultrassonografia com Doppler), como também avalia as complicações desta patologia. Na TC do tórax, as opacidades pulmonares evoluem rapidamente para lesões cavitadas bilaterais, e são frequentemente acompanhadas de derrame pleural.

O tratamento é feito com terapia antimicrobiana endovenosa, enquanto o uso de anticoagulantes ainda é controverso. A abordagem cirúrgica da veia jugular interna raramente é necessária, sendo reservada aos casos refratários.

Fonte: SPR

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